Se você pesquisar sobre a profissão no Google, vai encontrar os dois termos sendo usados como sinônimos: Comissário de Bordo e Aeromoça. Em conversas do dia a dia, na televisão e até em algumas publicações especializadas, os dois aparecem para descrever o mesmo profissional que trabalha a bordo de aeronaves comerciais.
Mas existe uma diferença importante entre eles. Uma diferença que vai além da semântica e que diz muito sobre como a profissão evoluiu, o que ela realmente exige e por que o termo correto importa para quem quer seguir essa carreira.
De onde vem o termo Aeromoça
O termo Aeromoça surgiu nos primórdios da aviação comercial, quando as companhias aéreas começaram a contratar profissionais para atender os passageiros a bordo. Nessa época, a função era exercida exclusivamente por mulheres, geralmente enfermeiras, e o foco era quase totalmente voltado para o conforto e o bem-estar dos passageiros durante o voo.
O perfil buscado pelas companhias nessa fase inicial era muito diferente do que existe hoje. Altura, aparência física, estado civil e até peso eram critérios de seleção explícitos. O trabalho era visto muito mais como um serviço de hospitalidade do que como uma função técnica com responsabilidades de segurança.
O termo Aeromoça reflete esse contexto histórico. Ele carrega uma carga cultural associada a um papel específico de gênero e a uma visão da função que não corresponde mais ao que a profissão é hoje.
O que é o Comissário de Bordo de verdade
A profissão evoluiu de forma profunda nas últimas décadas. Hoje, o Comissário de Bordo é um profissional técnico de segurança aeronáutica, regulamentado pela ANAC, com formação obrigatória, certificação específica e responsabilidades que vão muito além do serviço de bordo.
A principal responsabilidade do Comissário de Bordo é garantir a segurança dos passageiros durante o voo. Isso inclui o conhecimento completo dos procedimentos de emergência, a capacidade de operar equipamentos de segurança como extintores, coletes salva-vidas e tobogãs de evacuação, o domínio de primeiros socorros aeronáuticos, a gestão de situações de crise a bordo como incêndios, descompressão e pousos de emergência, e o conhecimento das normas da ANAC e dos regulamentos internacionais que governam a operação de cabine.
O serviço de bordo, as refeições, as bebidas e o atendimento ao passageiro são parte do trabalho, mas não são o núcleo da profissão. O Comissário é, antes de tudo, um profissional de segurança que também presta serviço de hospitalidade.
Por que o termo importa
A diferença entre Aeromoça e Comissário de Bordo não é apenas vocabular. Ela reflete uma mudança fundamental na forma como a profissão é entendida, regulamentada e exercida.
Questão de gênero
O termo Aeromoça é historicamente feminino. Ele carrega a carga de uma época em que a função era exercida exclusivamente por mulheres e era definida principalmente por critérios estéticos e de gênero. O termo Comissário de Bordo é neutro e se aplica igualmente a homens e mulheres, refletindo a realidade atual da profissão, que é exercida por profissionais de todos os gêneros com os mesmos direitos, deveres e remuneração.
Hoje, homens que atuam na profissão são Comissários de Bordo. Não existem Aeromochos, e o termo Aeromoça não abarca esses profissionais. Usar Comissário de Bordo é a forma correta e inclusiva de nomear a profissão.
Questão técnica e regulatória
A ANAC, o órgão que regula e certifica os profissionais de cabine no Brasil, utiliza exclusivamente o termo Comissário de Bordo em toda a sua documentação regulatória. O RBAC 121, que regula as operações de transporte aéreo regular, e o RBHA 121 definem os requisitos de treinamento, certificação e atuação dos Comissários de Bordo. O termo Aeromoça não existe no arcabouço regulatório da aviação civil brasileira.
Isso significa que, do ponto de vista legal e profissional, a função se chama Comissário de Bordo. Usar o termo correto demonstra conhecimento do setor e é especialmente importante em currículos, entrevistas e documentação profissional.
Questão de percepção e valorização
O uso do termo correto também tem impacto na forma como a profissão é percebida pela sociedade e pelos próprios profissionais. Quando alguém diz que quer ser Aeromoça, a imagem que muitas pessoas formam é a de um profissional de serviço de bordo. Quando diz que quer ser Comissário de Bordo, a imagem é a de um profissional técnico de segurança aeronáutica.
Essa diferença de percepção afeta a forma como os candidatos se preparam para os processos seletivos, como se apresentam nas entrevistas e como encaram a responsabilidade da função depois de contratados.
Como a profissão é regulamentada no Brasil
No Brasil, o Comissário de Bordo é uma profissão regulamentada pela ANAC e pela legislação trabalhista brasileira. Para atuar como Comissário em voos comerciais regulares, o profissional precisa ter formação em escola homologada pela ANAC, aprovação nos exames regulatórios, CMA, o Certificado Médico Aeronáutico de 2ª classe, emitido por médico credenciado pela ANAC, e o CHT, o Certificado de Habilitação Técnica, emitido pela própria companhia após o treinamento de bordo específico da frota operada.
Essa estrutura regulatória confirma o caráter técnico da profissão. Você não se torna Comissário de Bordo fazendo um curso qualquer. Você se torna Comissário de Bordo concluindo uma formação homologada, passando em exames regulatórios e sendo certificado por um órgão governamental.
O que mudou nos critérios de seleção
Uma das mudanças mais importantes na profissão ao longo das últimas décadas foi a eliminação progressiva dos critérios discriminatórios de seleção que caracterizavam a era da Aeromoça.
Altura mínima e máxima ainda existem como critério, mas por razões estritamente técnicas: o Comissário precisa alcançar os compartimentos superiores da aeronave e trabalhar confortavelmente no espaço da cabine. A altura mínima de alcance de 210 centímetros com os braços estendidos é um requisito funcional de segurança, não estético.
Critérios como peso, estado civil, idade máxima e aparência física que eram comuns na época das Aeromoças foram eliminados da legislação brasileira. A Lei 11.927/2009 proibiu a discriminação por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade nos processos seletivos de Comissários de Bordo no Brasil.
Hoje, o que importa em um processo seletivo de Comissário de Bordo são as habilidades técnicas, o inglês, a capacidade de comunicação, o trabalho em equipe e o perfil de segurança. Não a aparência.
A profissão hoje: segurança em primeiro lugar
Para entender definitivamente por que o termo Comissário de Bordo é o correto, basta olhar para o que acontece em uma emergência a bordo.
Quando uma aeronave precisa fazer um pouso de emergência, quando há uma descompressão explosiva a 35.000 pés, quando um passageiro entra em parada cardiorrespiratória durante o voo, quando há um incêndio na cabine, é o Comissário de Bordo que assume o controle da situação. Ele é treinado para evacuar uma aeronave em 90 segundos, para aplicar primeiros socorros, para usar desfibriladores, para gerenciar o pânico dos passageiros e para coordenar a equipe de bordo em situações de altíssima pressão.
Essa responsabilidade não tem nada de decorativo. É a responsabilidade de um profissional técnico de segurança que trabalha em um dos ambientes mais complexos e regulados do mundo.
É por isso que a profissão se chama Comissário de Bordo.
Como entrar na profissão em 2026
O mercado de Comissários de Bordo em 2026 está aquecido. A GOL inaugurou voos intercontinentais para Nova York com Airbus A330. A Azul opera novos A330ceo em rotas internacionais para Europa e Estados Unidos. A LATAM vai incorporar 14 Embraer E195-E2 entre novembro de 2026 e março de 2027, operando 42 rotas domésticas. A Etihad Airways realiza recrutamento presencial em São Paulo em setembro de 2026. E a Emirates continua contratando Comissários brasileiros regularmente.
Toda essa expansão gera vagas. E as vagas vão para quem estiver bem formado, com a certificação ANAC em dia, o inglês desenvolvido e o perfil técnico que as companhias buscam.
O caminho começa com uma formação em escola homologada pela ANAC, que prepare o profissional não apenas para os exames regulatórios, mas para os processos seletivos das grandes companhias e para a responsabilidade real da função.
A Lito Aviation Academy forma Comissários de Bordo
A Lito Aviation Academy está em Guarulhos, com mais de 36 anos de experiência, homologação da ANAC e parcerias com GOL, AZUL e LATAM. O curso de Comissário de Bordo da Lito prepara profissionais com a base técnica exigida pela regulação e o preparo comportamental que as companhias nacionais e internacionais avaliam nos seus processos seletivos.
Se você quer entrar nessa carreira, o nome certo é Comissário de Bordo. E a formação certa começa aqui.
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