Existe uma lista muito curta de programas de jatos comerciais que chegaram a 2.000 aeronaves entregues. O Boeing 737 está nessa lista. O Airbus A320 está nessa lista. E desde 2 de setembro de 2026, a família E-Jets da Embraer também está.
Nesse dia, a Embraer celebrou em São José dos Campos a entrega do seu 2.000º E-Jet, uma aeronave E195-E2 entregue à Azul Linhas Aéreas, maior companhia aérea do Brasil em número de destinos atendidos. O marco coloca o programa brasileiro entre os três maiores programas de jatos comerciais do mundo, ao lado dos dois gigantes americano e europeu que dominaram o mercado por décadas.
Para quem acompanha a aviação brasileira, esse número tem um peso que vai além da estatística. É a confirmação de que o Brasil fabrica aeronaves que o mundo inteiro quer voar.
O que é a família E-Jets e como chegou a 2.000 entregas



A família E-Jets da Embraer entrou em operação em 2004 com o E170, o menor modelo da linha original. Desde então, a família se expandiu para incluir seis modelos divididos em duas gerações.
A primeira geração, conhecida como E1, inclui o E170, o E175, o E190 e o E195, aeronaves que revolucionaram a aviação regional mundial ao oferecer conforto de fuselagem larga em um jato de fuselagem estreita, com a configuração 2×2 que elimina o assento do meio e garante que todo passageiro viaje sempre na janela ou no corredor.
A segunda geração, a família E2, inclui o E190-E2 e o E195-E2, com motores Pratt & Whitney GTF de nova geração que reduzem o consumo de combustível em até 25% em relação à geração anterior, aerodinâmica completamente redesenhada e sistemas aviônicos de última geração. A Azul foi a cliente de lançamento do E195-E2, recebendo a primeira aeronave em 2019.
Em 22 anos de operação, os E-Jets acumularam aproximadamente 48 milhões de horas de voo, transportaram mais de 2,85 bilhões de passageiros e operam em mais de 90 companhias aéreas em mais de 60 países. São números que colocam o programa em qualquer conversa sobre os maiores sucessos comerciais da história da aviação.
Por que esse marco importa para o Brasil
O E-Jet não é apenas um produto de exportação da Embraer. É um símbolo da capacidade da engenharia aeronáutica brasileira de competir no mais alto nível do mercado global.
Quando a Embraer desenvolveu o E170 no início dos anos 2000, o mercado de jatos regionais era dominado por empresas canadenses, americanas e europeias. A Embraer entrou nesse mercado com uma proposta diferente, uma aeronave que não era apenas um avião menor, mas uma aeronave fundamentalmente mais confortável para o passageiro do que qualquer outro jato regional disponível.
Essa proposta funcionou. As companhias aéreas de todo o mundo compraram. Os passageiros aprovaram. E 22 anos depois, 2.000 aeronaves depois, o programa está entre os três maiores do mundo.
Para o mercado de trabalho na aviação brasileira, isso tem uma consequência direta: a Embraer é uma das maiores empregadoras de engenheiros, técnicos e profissionais de aviação do Brasil, e o sucesso do programa E-Jets sustenta essa demanda de forma consistente. Cada nova aeronave entregue é o resultado de centenas de profissionais trabalhando em São José dos Campos e nas unidades ao redor do mundo.
A Azul como cliente estratégica e parceira de lançamento






A escolha da Azul para receber a aeronave comemorativa número 2.000 não é simbólica por acaso. A companhia tem um papel central na história do programa E-Jets no Brasil.
A Azul foi a cliente de lançamento do E195-E2, recebendo a primeira aeronave da geração E2 em 2019 e se comprometendo com a nova geração antes de qualquer outra companhia. Essa decisão foi um voto de confiança na Embraer que ajudou a viabilizar o programa E2 no mercado.
Com o E-Jet comemorativo, a Azul passa a ter 50 aeronaves E2 em operação, tornando-se uma das maiores operadoras de E195-E2 do mundo. A companhia já operou ao todo 145 aeronaves Embraer ao longo de 18 anos, realizou mais de 2,1 milhões de voos com esses jatos e transportou 206 milhões de passageiros.
Como disse John Rodgerson, CEO da Azul: desde o primeiro voo realizado em 15 de dezembro de 2008 em uma aeronave E190 de matrícula PR-AZL, as aeronaves da Embraer permitiram ampliar a conectividade aérea no Brasil, aproximando cidades, impulsionando mercados e criando novas oportunidades para milhões de clientes.
2,85 bilhões de passageiros: o impacto global dos E-Jets
Para colocar o programa em perspectiva global, o número que mais impressiona é o de passageiros transportados. Em 22 anos, as aeronaves da família E-Jets transportaram mais de 2,85 bilhões de pessoas em mais de 60 países.
São 2,85 bilhões de passageiros que chegaram aos seus destinos em uma aeronave projetada e fabricada no Brasil. Em aeroportos europeus, americanos, asiáticos e africanos, as companhias aéreas locais operam E-Jets da Embraer todos os dias, conectando cidades que sem esse programa não teriam acesso à aviação comercial regular com o nível de conforto que os E-Jets oferecem.
Esse alcance global tem uma consequência prática para o mercado de trabalho: profissionais brasileiros com conhecimento dos sistemas E-Jets são valorizados não apenas no Brasil, mas em qualquer país onde essas aeronaves operam. Mecânicos de Aeronaves e Pilotos com habilitação na família E-Jets têm um currículo com apelo internacional real.
O que o sucesso dos E-Jets revela sobre a Embraer como empregadora
A Embraer que entregou o E-Jet número 2.000 é uma empresa em plena expansão. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou seu melhor desempenho de entregas em 16 anos. O Praetor 500E recebeu certificação tripla simultânea da ANAC, FAA e EASA. O Programa de Especialização em Engenharia em parceria com o ITA está com inscrições abertas para a turma de 2027.
Uma empresa que entrega 2.000 aeronaves de um único programa, que mantém uma carteira de pedidos que se estende por anos e que está em processo de certificação de novos produtos simultaneamente é uma empresa que precisa de profissionais em todas as frentes da cadeia aeronáutica de forma consistente e crescente.
Para Engenheiros Aeronáuticos, a Embraer é o destino de carreira mais ambicioso da aviação brasileira. Para Mecânicos de Aeronaves com certificação na família E-Jets, as oportunidades estão tanto na Embraer quanto nas companhias operadoras como a Azul. Para Pilotos com habilitação E-Jets, o mercado nunca foi tão amplo.
O efeito cascata do crescimento do programa
Cada nova aeronave E-Jets entregue no mundo gera demanda por profissionais em diferentes pontos da cadeia. Na Embraer em São José dos Campos, onde a aeronave é projetada, fabricada e certificada. Nas companhias aéreas que operam os E-Jets, que precisam de Pilotos habilitados e Mecânicos certificados. Nos centros de suporte e MRO ao redor do mundo, que fazem a manutenção pesada das aeronaves ao longo de sua vida útil.
No Brasil, esse efeito cascata é especialmente visível. A Azul tem 295 Mecânicos certificados para a família Embraer e abre mais de 120 vagas por mês para Mecânicos de Aeronaves. A LATAM vai incorporar 14 E195-E2 entre novembro de 2026 e março de 2027. E o programa E-Jets continua crescendo com novos pedidos sendo anunciados regularmente.
Para quem está se formando agora, entrar no mercado com conhecimento dos sistemas E-Jets é se posicionar em uma das especialidades de maior demanda e maior longevidade do mercado aeronáutico brasileiro e global.
A Lito Aviation Academy, parceira da Azul e da Embraer
A Lito Aviation Academy está em Guarulhos, com mais de 36 anos de experiência, homologação da ANAC e parcerias diretas com a Azul e a Embraer, as duas protagonistas do marco histórico celebrado em 2 de setembro de 2026.
A parceria com a Azul garante que 20% das vagas de manutenção da companhia são reservadas para alunos da Lito, criando um canal de acesso privilegiado para quem se forma na escola. Com 295 Mecânicos certificados para a família Embraer na Azul e mais vagas sendo abertas a cada mês, essa reserva representa uma porta de entrada real para o programa E-Jets.
O E-Jet número 2.000 foi entregue hoje. O próximo vai ser entregue em breve. E cada um deles vai precisar de profissionais qualificados para voar e para ser mantido. Esse profissional pode ser você.
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